Último número publicado: 12
(Março - 2010)
Tal e como foi anunciado no número anterior, a revista Veredas começa uma nova etapa caraterizada pela sua transformação ao
suporte exclusivamente eletrônico, e também por assumir o sistema de avaliação por pares para a seleção dos trabalhos para a publicação. Isto
significa que os artigos aqui recolhidos foram em todos os casos
enviados pelas suas autoras e autores para serem apreciados por
especialistas, e que só os 6 efetivamente publicados cumpriam os
requisitos de qualidade que a revista da Associação Internacional de
Lusitanistas requer.
Queremos agradecer desde a direção da revista, em primeiro lugar, a
preferência que as investigadoras e investigadores responsáveis tanto
dos trabalhos que agora apresentamos como dos que ficaram fora,
mostraram pela nossa publicação. Igualmente, queremos agradecer o
trabalho generoso de avaliadoras e avaliadores que se prestaram a
colaborar com a direção da Veredas não apenas na aceitação ou não
dos trabalhos recebidos, mas também na leitura enriquecedora dos
artigos que beneficiaram em diferentes medidas dos seus informes.
Este número 12 tem um teor fundamentalmente literário, e apresenta
uma alargada panorâmica das literaturas lusófonas em boa parte das
suas coordenadas geográficas: de visões sobre clássicos portugueses e
brasileiros até a abordagem de questões sobre identidades literárias em
espaços insulares, passando pelos processos canonizadores no sistema
galego ou pela análise de uma produtora absolutamente
contemporânea.
A produção literária da ilha da Madeira é analisada nos artigos de
Leonor Martins Coelho e de Thierry Proença dos Santos. No primeiro
caso com a apresentação da obra de Irene Lucília Andrade, focando a
relação que se estabelece entre passado e presente, memória e
identidade em dous textos recentes desta escritora com longa trajetória
desde a publicação em 1968 de Hora Imóvel, e presença recorrente em
antologias que recolhem tanto poesia como narrativa madeirense.
Proença dos Santos, por seu turno, reflete no seu trabalho sobre o
processo de elaboração de uma identidade literária madeirense e as
relações desta com a literatura portuguesa em que se enquadra e com
as literaturas “insulares”.
Através dum estudo de caso da literatura galega na década de 70,
Roberto Samartim analisa os processos canonizadores entendidos
como dinâmicos, mostrando os diferentes fatores que explicam tanto o
funcionamento do sistema nesse período como a construção posterior
do conhecimento sobre este.
Três dos vultos centrais das literaturas em língua portuguesa são
trazidos a estas Veredas por meio das pesquisas de Juracy Assmann
Saraiva, Regina Zilberman e Marco Livramento. No primeiro caso, a
prof. Saraiva achega uma interpretação em chave da pós-modernidade
da abordagem paradoxal que Machado de Assis faz da escrita literária
no seu último texto publicado –Memorial de Aires. A prof. Zilberman
revisa as personagens femininas mais conhecidas da produção clássica
do século XIX brasileiro sob a luz da dicotomia entre Helenas e
Penélopes para se centrar na análise destas personagens em Sagarana
de Guimarães Rosa. Finalmente, Marcos Livramento oferece uma
nova visão do fingimento pessoano, procurando nos seus textos uma
arte poética modernista que ilumine a compreensão destes.
A iminente posta em andamento do novo sítio web da Associação
permitirá a partir do próximo número um contato mais direto e ágil da
revista com as investigadoras e investigadores que queiram contribuir
com as suas pesquisas, e dará uma nova e maior difusão aos nossos
trabalhos. Confiamos em que isto contribua para a satisfação tanto das
pessoas que leem Veredas à procura das novidades mais importantes
na pesquisa em língua portuguesa sobre assuntos da produção cultural
da Lusofonia, como daquelas que procuram um lugar onde publicar
estas pesquisas em português e com garantias de difusão e de rigorosa
avaliação.